terça-feira, 1 de setembro de 2015

10 (melhores) diretores e diretoras do Leste Europeu

Uma das regiões mais confusas do planeta. O leste europeu no século XX se tornou uma verdadeira babilônia, tornando qualquer mapa geográfico defasado e obrigando professores e professoras a se atualizarem para saber qual país ainda existe e quais são as novidades.

Desse caos geopolítico, brota um cinema impactante! As obras da região, sobretudo as dos balcãs são promissoras, com produções modernas, irônicas e carregadas de simbolismo.

Portanto, para valorizar as obras mais recentes, é que preferi indicar diretores e diretoras que estão na ativa. Por conta disso, ficam de fora alguns gênios consagrados da história mundial, como os soviéticos Sergei Eisenstein, Andrei Tarkovsky, Dziga Vertov, Elem Klimov e Mikhail Kalatozov.

Abaixo, a lista dos 10 diretores e diretoras que vêm projetando o leste europeu para o resto do mundo.


1. Emir Kusturica (Sérvia)
Kusturica nasceu em Sarajevo, atual capital da Bósnia e Herzegovina. Apesar disso, ele é sérvio, já tendo sido da Iugoslávia e da Sérvia e Montenegro. Toda essa confusão dos Balcãs se reflete nas obras do diretor, um dos maiores do cinema contemporâneo. Uma fragmentação da identidade e uma “vida cigana” de um povo em constante transformação geopolítica. Kusturica traduz esse contexto em histórias e personagens tão bizarros quanto. E tão cômico, porque de trágico já basta a vida. É dele: Underground, Vocêse lembra de Dolly Bell? Vida Cigana e Gato Preto, Gato Branca.


2. Andrzej Wajda (Polônia)
O diretor polonês tem 89 anos e cerca de trinta obras realizadas. É dele O Homem de Ferro, um dos filmes mais importantes da filmografia polonesa. Aliás, a Polônia é personagem comum em suas histórias, muitas delas com grande carga dramática e teor político.







3. Dorota Kedzierzawska (Polônia)
De uma sensibilidade única, os dramas realizados pela diretora polonesa são sutis e, ao mesmo tempo, ferozes. Faz balançar qualquer espectador, fazê-lo sentir, refletir e se emocionar. É dela: Corvos, Eu existo e Hora de morrer.





4. Jasmila Zbanic (Bósnia)
A jovem diretora tem apenas 3 longas e um curta no compilado História de Direitos Humanos. Apesar de ter poucas produções, a diretora já revela um grande talento. Em seus filmes, ela consegue tratar de dramas pessoais e universais, mas sempre tendo a Bósnia de pano de fundo. O pós-guerra e o país em reconstrução são elementos presentes em suas obras, dialogando, subjetivamente, com os próprios personagens. É dela Em Segredo.





5. Béla Tarr (Hungria)
Um dos diretores mais renomados do leste europeu, Béla Tarr realizou seu último filme em 2011. Para os fãs, ficou a expectativa de que o diretor volte a filmar. O seu estilo apaixona alguns e entedia outros, com suas obras em que o silêncio fala mais que os diálogos, que a duração dos plano diz muito, e que a fotografia é tão importante quanto a narrativa. É dele o elogiado As Harmonias de Werckmeister.





6. Aleksandr Sokurov (Rússia)
Um dos maiores nomes do cinema russo. O experiente diretor tem uma longa filmografia, boa parte dela transformando passagens e conflitos da história mundial em obras artísticas projetadas na tela do cinema. É dele Mãe e filho, Arca Russa e O Sol.








7. Martin Sulík (Eslováquia)
Com um traço bastante autoral, Sulík divide opiniões. Há quem não o suporte. E há quem consiga viajar nas fantasias criadas pelo diretor e desfrutar as suas obras mágicas. O fato é que ele tem um traço particular e uma grande habilidade de usar o cinema para fazer o espectador sonhar. É dele O Jardim.







8. Cristian Mungiu (Romênia)
Com uma filmografia curta, o diretor ganhou fama internacional com o premiado 4 meses, 3 semanas e 2 dias. O diretor compõe a nova safra do cinema romeno, uma das melhores e mais promissoras do leste europeu.









9. Sergei Loznitsa (Bielorrúsia)
Apesar de bielorusso, o diretor realiza produções ucranianas, registrando as marcas do processo histórico nessa região. Loznitsa é autor de diversos curtas e alguns longas elogiados, que o torna um dos nomes mais promissores do cinema ucraniano.








10. Jan Sverák (República Tcheca)

Projetado com o premiado Kolya, o diretor tcheco foge um pouco do perfil de seus colegas do leste. A estética de suas obras é simples, com a narrativa e os personagens sendo os destaques. As histórias são leves, ainda que emocionantes, com uma dose certa de humor.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

78 – Juan dos Mortos (Juan de los muertos) – Cuba (2011)


Direção: Alejandro Brugués
Juan (Alexis Díaz de Villegas) é um sujeito de 40 anos especializado na arte de não fazer nada. Um dia, se depara com uma misteriosa infecção que está transformando os habitantes de Havana em mortos-vivos famintos. Juan decide começar um negócio ao lado do amigo Lazaro (Jorge Molina) para tirar vantagem da situação.


Havana está sendo atacada por zumbis! E, como um típico filme sobre zumbi, Juan de los muertos é carregado de humor e tosqueira. Mas uma tosqueira profissional, com uma boa produção.

Por trás da ficção, muitas críticas ao regime de Fidel. Tem horas que as críticas ficam repetitivas e soam desnecessárias. Mas, como em Cuba é impossível não se falar de política, até mesmo num filme de zumbi o debate fica implícito.

Mais uma boa obra latino-americana! Irônica e divertida.


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terça-feira, 25 de agosto de 2015

77 – Léo e Bia (idem) – Brasil (2010)


Direção: Oswaldo Montenegro
Conta a história de sete jovens que em Brasília, no auge da ditadura militar, resolvem viver de arte. No fim dos anos hippies, essa turma vive as aventuras, alegrias e dificuldades de ir atrás dos seus sonhos. O filme é uma homenagem à amizade e à luta de sete adolescentes para viverem seus sonhos, além e apesar de tudo.

Falaram tão mal dele, que eu esperava um filme pior.

O grande problema é que o filme impõe uma responsabilidade enorme aos atores e atrizes. E acho que a escolha do elenco poderia ter sido muito melhor. Aliás, já começa com a péssima atriz Fernanda Nobre fazendo a personagem da Bia.

Mas a direção é muito bem bolada, fazendo jus à mente brilhante do velho Oswaldo.


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domingo, 23 de agosto de 2015

76 – Por que Bodhi Dharma partiu para o Oriente (Dharmaga Tongjoguro Kan Kkadalgun) – Coréia do Sul (1989)


Direção: Yong-Kyun Bae
Um mestre zen, um homem que vem da cidade, fugindo de sua antiga vida, para se tornar um monge, e um garotinho órfão encontrado pelo mestre, vivem em um mosteiro nas montanhas, cercados pelas belezas da natureza e seus enigmas.


O cinema sul-coreano sempre trazendo boas surpresas.

Curioso saber que essa obra foi a única dirigida por Yong-Kyun Bae, com uma fotografia simplesmente espetacular, das mais belas.

Um filme reflexivo e que lembra muito Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera...

“Bodhi Dharma” é uma pequena jóia, daqueles filmes que estariam lá no final da prateleira, sem ninguém dar muita bola, mas que impressionaria qualquer um que o assistisse.


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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

75 – As cinco obstruções (De Fem Benspaend) – Dinamarca (2003)


Direção: Lars von Trier; Jorgen Leth
Em 1967, Jorgen Leth realizou um curta-metragem de 12 minutos chamado The Perfect Human. Fã incondicional desse curta, Lars Von Trier desafiou o veterano diretor a produzir cinco remakes desse mesmo filme. Sempre no comando da situação, Von Trier coloca todo tipo de obstáculo, com o intento deliberado de tornar as coisas difíceis.


Uma brincadeira pessoal de Lars von Trier, onde ele manipula o seu amigo Jorgen Leth a dirigir um filme de forma quase que sádica. Como um produtor que manda mais que o diretor. Como um ditador que pode fazer o que quiser com o seu servo.

Um teste de relacionamento, mas também um exercício de linguagem, onde as restrições e orientações impostas por Lars von Trier obriga Jorgen Leth a fazer mais com menos, a se virar com as técnicas cinematográficas disponíveis para recriar sua própria obra.

No final das contas, a brincadeira acaba sendo divertida.


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domingo, 16 de agosto de 2015

74 – Vício inerente (Inherent Vice) – Estados Unidos (2014)


Direção: Paul Thomas Anderson
Adaptação de livro homônimo de Thomas Pynchon, o novo filme de Paul Thomas Anderson se passa nos anos 1970, em Los Angeles. Larry "Doc" Sportello (Joaquin Phoenix) é um detetive particular viciado em drogas que investiga o sequestro de um bilionário latifundiário. E como se não fosse o bastante, Loc ainda tenta reencontrar a ex-namorada (Katherine Waterston), que está desaparecida.



Paul Thomas Anderson sendo Paul Thomas Anderson. Mestre!


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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

73 – Amor (Amour) – Áustria (2012)


Direção: Michael Haneke
Estrelado por dois ícones do cinema francês – Emmanuelle Riva, 85 anos, e Jean-Louis Trintignant, 81, "Amour" trata da relação de um casal de idosos que tem de lidar com a proximidade da morte.

Não gosto muito do estilo de Haneke, talvez por isso eu tenha resistido tanto para ver esse tão elogiado filme.

Em Amor, o diretor cria seu próprio limite, para extrair o máximo de sensibilidade possível. São poucos personagens, praticamente uma única locação e poucos elementos cênicos. Essa escolha, de limitar os próprios recursos, me lembrou de A Família, em que Ettore Scola manteve a câmera o tempo todo dentro de uma casa e, ainda assim, conseguiu mostrar as transformações de uma família, por diversas gerações.

Em Amor, a câmera quase que não sai de casa. Não é uma família completa que está na tela, mas o que restou dela: um casal em seus últimos anos de vida. As transformações também existem, mas não ultrapassa gerações. Ao contrário, dura poucas semanas.

E assim Haneke consegue dar uma boa aula de cinema, transcendendo os próprios limites criados. Fazendo muito, com pouco.

Em tempos de cólera, Amor, é fundamental.


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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

72 – Branco sai, preto fica (idem) – Brasil (2014)


Esperava mais, muito mais.

Mas, talvez pela própria expectativa criada, o filme tenha me frustrado um pouco.

Ainda assim, traz uma proposta interessante de (con)fundir ficção com documentário, mas infelizmente o conteúdo foi pouco explorado e muitos momentos se tornaram repetitivos – perdi as contas de quantas vezes passou a imagem do protagonista cadeirante subindo o elevador.

A trilha sonora, sobretudo a música final, é uma bomba – no melhor sentido da palavra. A fotografia também é muito bem elaborada e até as atuações são de qualidade. Mas talvez tenha sido a montagem que enfraqueceu a narrativa, excluiu o conteúdo da história e deixou um ritmo pouco agradável. Algumas sequências ficaram descoladas do restante do filme, como as cenas no container, que deveria trazer a ideia de ficção científica. Essa parte não se harmonizou com o todo.

Uma pena que eu tenha me decepcionado com o filme, sobretudo porque precisamos falar sobre o racismo.


Prefiro essa reportagem aqui: O Brasil por trás da aquarela.

PS - Esqueçam ou, pelo menos, não levem muito a sério o que eu escrevi acima. Sobretudo se considerarmos que uma obra cinematográfica não se limita em si, mas é fruto de um contexto. De fato, a minha expectativa criada pode ter contribuído para um pouco de frustração. E, de fato, ainda continuo com a sensação de ter visto um filme com uma montagem não muito harmônica e que prejudica o todo.

Mas acho interessante ressaltar a importância de Branco sai, Preto fica, dentro de um contexto de cinema nacional, com um modelo de produção que merece ser debatido e que deve ser, cada vez mais, apropriado pela periferia. Li essa entrevista com Adirley Queiros (clique aqui) e repensei um pouco o meu olhar, que eu mesmo já vinha questionando desde que comecei a debater com alguns amigos.

Por isso, achei necessário e importante escrever esse PS, para desfazer um possível efeito desestimulador que o meu comentário inicial poderia causar. Pelo contrário, sugiro a todos e todas - inclusive a mim mesmo - que re(assista) o filme. É importante e vai além da própria obra em si.


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domingo, 9 de agosto de 2015

71 – Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark) – Estados Unidos (1981)


Direção: Steven Spielberg
Indy (Harrison Ford) e sua decidida ex-namorada Marion Ravenwood (Karen Allen) sobrevivem a armadilhas, combatem nazistas e encaram serpentes em sua incrível missão ao redor do mundo, em busca da mística Arca da Aliança.


Da série “filmes que todo mundo já viu, menos eu”. E nem me arrependi de ter passado tanto tempo sem ter visto.


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domingo, 2 de agosto de 2015

10 (melhores) diretores e diretoras da França (vivos)

França: um dos países mais importantes da história cinematográfica. Foram os franceses que inauguraram a sétima arte, que se espalhou pelo mundo. Pela França também passaram movimentos que influenciaram a estética do cinema mundial, como o Cinema Verdade e a Nouvelle Vague.

Diante de tanta importância, foi uma missão impossível destacar apenas 10 cineastas. A lista já estava estourada, com nomes como Truffaut, Resnais, Renoir, além de diretores das gerações mais novas. A solução para esse problema: listar cineastas em atividade, que chegam em agosto de 2015 ainda produzindo grandes obras ou se firmando como promessas.

Segue, então, os/as 10 (melhores) diretores e diretoras da França, na atualidade.

1. Jean-Luc Godard
Com seus 84 anos, Godard não para de produzir. Confesso que não me agrada suas obras mais atuais e que não tenho muita paciência para algumas mais antigas. Mas, é inegável que filmes como Acossado, O Desprezo, 2 ou 3 coisas que sei dela e O Demônio das Onze Horas são de uma qualidade únicas. Godard: ame-o ou se entedie. Um dos maiores nomes da história do cinema mundial e que encabeça essa lista pelo conjunto da obra.





2. Costa-Gavras
O grego mais francês do cinema. Se daqui a algumas décadas alguém quiser compreender o nosso contexto sócio-político, os conflitos e as regras do jogo, indiquem a filmografia de Costa-Gavras.









3. Luc Besson
Dono de uma filmografia variada, mas que prevalecem filmes de ação e infantis, Luc Besson tem projetos para além da fronteira francesa. Sobretudo suas obras recentes foram produzidas por Hollywood, mas o que lhe projetou foi o clássico O Profissional.








4. Laurent Cantet
Um dos principais diretores franceses da atualidade. A câmera de Cantet é única, que mexe dali, revira daqui e consegue penetrar nos personagens e extrair emoções, instintos e reações fortes. Em alguns momentos, a ficção do diretor parece um documentário, captado com extrema habilidade. Sem dúvida que ainda há o que amadurecer no seu trabalho, mas sua filmografia já é de respeito e traz, a cada filme, uma expectativa maior.





5. Jean-Jacques Annaud
Dono de uma filmografia de respeito, tendo produzido obras de alta produção. Os filmes de Annaud costumam misturar os dramas e conflitos pessoais com um contexto histórico amplo. Quem nunca viu, numa aula de História, o filme O nome da rosa?








6. Emmanuelle Bercot
Outra boa atriz, que se aventurou a dirigir seus próprios filmes. Emmanuelle Bercot vem se destacando e realizando obras cada vez mais elogiadas. Outra grande promessa do cinema francês, que já vem se estabelecendo.








7. Jean-Pierre Jeunet
O diretor de Amélie Poulain. Mas, para além dessa obra histórica, Jeunet consegue manter uma média de bons filmes. Surgem uma pedrada aqui, como Alien – A Ressurreição, mas no geral tem representado muito bem a França no cinema.








8. Éric Toledano e Olivier Nakache
Dois dos principais nomes na nova geração do cinema francês. Estrearam com o divertido Apenas bons amigos e, após duas produções mantendo a parceria, estouraram com Intocáveis. Recentemente, a dupla realizou Samba, novamente passando pelo delicado tema da imigração.




9. Agnès Jaoui
Uma excelente atriz e uma diretora promissora. Jaoui tem uma filmografia curta, com apenas quatro obras dirigidas. Nenhuma possui grandes críticas ou sucesso com o público, mas revela um talento que faz valer à pena acompanhar os próximos passos da diretora.








10. Cédric Klapisch

O diretor de Albergue Espanhol. Klapisch traz em suas obras o humor singelo e divertido típicos das comédias franceses. Com ótimos diálogos e belos passeios pela cidade, seus filmes envolvem o espectador, que normalmente terminam com um sorriso no rosto e algumas ideias na cabeça.